
Ano novo, vida nova... Novos ganhos, novas perdas. A vida sempre é assim, esta é a moral da história. Como dizia o sobrinho do famoso personagem de cartoon Pica-Pau "A vida é assim mesmo, um dia você é feliz, no outro vem alguém e põe sal na sua cauda". Será que os fatos ou pessoas podem mesmo por sal em nossa cauda e frustrar a nossa vida? Ou será que a vida é cheias de presentes inperceptíveis?
Passei um 2007 triste, pois logo no dia 2 de janeiro aconteceu o grande rompimento da minha vida. 25 anos tentando gostar realmente de alguém, e quando isso acontece, fracasso!
Um ano de tanto "chororô" e quando vejo que dá para ter uma vida até legal sem ele, surpresa: O namoro é reatado. Com direito a ganhar ursinho de pelúcia com coração bordado "Eu te amo". Felicidade nas alturas, iria encerrar o ano cheia de alegria, com o único namorado que gostei de verdade! E agora era para valer!
Mal sabia eu, que dalí um mês eu teria a perda mais significativa de minha vida, até então. Perderia o homem, que depois de Jesus, mais me amou.
Meu papaizinho lindo, senhor Paulo... ficou doente e seu corpo não resistiu... Sua alma vôou feliz com o Papai Perfeito... Que bom... Mas quantas saudades.
Um mês depois, o natal mais triste, o ano novo sem aquele que a vida inteira esteve ao meu lado... Novo ano, perda nova... Se no ano passado tive que começar o ano aprendendo a viver sem o namorado especial que estava comigo há quase um ano. Agora o desafio era maior: Eu nunca tinha vivido sem meu pai. O grande desafio de 2008.
Deus cuida nos mínimos detalhes de todos aqueles que se colocam em suas mãos... Meu amado Diego voltou para minha vida quando eu nem mais esperava... Na hora certa... Tem estado comigo nas horas mais difíceis... Ele estava alí segurando minha mão e apertando meu ombro quando eu recebi a notícia. Ele sabia que isso aconteceria? Não, mas Deus sabia...
Mas a morte na família gera diversas crises... Financeiras, todos ficam carentes e mais egocêntricos, surgem palavras com tom mais áperos do que costumeiramente... E o emocional fica sensibilizado com qualquer coisa... É como uma TPM geral na família que dura bem mais que alguns dias. Aí vem as doenças psicossomáticas, e todos esperam mais de você. Ainda mais quando se tem um histórico de dar aconselhamentos e ajudar pessoas. Ninguém imagina que você agora quer ser abraçado, ouvido, e deixado sozinho em silêncio, as vezes... De repente, todo o aconselhamento que funcionou com outras pessoas são esquecidos... Você se pega querendo cometer erros banais como o da fuga, de querer ir viajar, sumir, coisa e tal. O que na razão e prática, já se sabe que não leva a lugar nenhum...
Os estágios da aceitação da morte desenvolvidos pela médica Elisabeth Kubler Ross, não são só para quem está doente e vai morrer. Qualquer perda pode gerar a fase da negação, da raiva, da barganha, da depressão e finalmente: Aceitação.
O medo... Insegurança... E se entrar bandido em casa?! ... Quanta coisa!!! Basta! Foi nesta hora que deixei de perceber o quanto Deus estava cuidando... Nao existem culpados... Não há para onde fugir... Aí surge um clamor, um pedido de socorro! "Deus, mais do nunca preciso de você como um PAI, eu estou tão machucada... Tão frágil... eu sei que o senhor é um pai perfeito e completamente satisfatório... Não quero deixar de confiar e viver isto!"
...A dor da alma foi deixando, o choro deseperado baixando... Alívio... Há quem chame de esperiência mística... Eu chamo não somente de Presença do Deus real, mas do abraço do Pai Eterno...
Pude perceber mais de perto, a paternidade de Deus... Daquele que me criou e que nunca vai morrer... Descobri mais uma vez, e de forma mais intensa, que em Deus... Pode-se haver momentos alegres e tristes... Mas sempre de paz... A paz que Jesus oferece deve ser o árbitro de meu coração tão machucado... Só depende de mim ela ser constante... O quanto deixo Deus estar comigo?! Ele jamais abandona...
Agora consigo olhar a perda como experiência... Não mais como perda, porque não perdi meu pai terreno. Eu o ganhei por 69 anos de história de vida. Do exemplo que ele foi. Meu pai deixou um exemplo de vida, de moral e ética, de persistência e fé.
Venceu a pobreza e consquistou um conforto estável para a família como desenhista arquitetônico concursado;
Homem de caráter, de ética, se vícios, sem dívidas;
Tinha por hobby o cultivo de mais de 500 espécies de plantas, ele preservava a natureza, separava o lixo;
Era querido por todos, onde ia... Tenho orgulho das pessoas me rodearem com admiração ao saber que sou sua filha;
Foi um bom marido, bom pai, bom avô, bom cunhado e genro. Levava café na cama para minha mãe e a chamava de "bem", dava o maior incentivo no estudo dos filhos e netos, não deixando faltar na escola e pegando no nosso pé para dormirmos cedo (Rs, quem diria que eu sentiria falta disso?);
Voltou a estudar depois de velho, estava cursando pedagogia quando faleceu;
Destes 69 anos, tive 26 anos de discipulado pessoal, espero ter sido uma boa aprendiz...
Quando a gente perde alguém, temos a tendência da culpa "Porque não curti mais? Porque errei tanto?" Bem, nada justifica, mas todos erram... Ele está bem agora, se o maguei, já não dói mais nele... Sei que dei a ele muitos desgotos... Mas também dei a ele alegrias... Que bom que ele me viu formar... Mesmo não sendo o que ele tinha em mente, e incentivou e se orgulhou...
Ele costumava dizer que se eu continuasse sendo tão exigente, ficaria solteirona... Que eu só desperdiçava bons rapazes... Depois me viu sofrer um ano pelo Diego... E um mês antes... Teve a alegria de nos ver juntos novamente... Ele não vai me levar ao altar... Não vai conhecer meus filhos... Mas conheceu o pai deles...
Seria mentira dizer que já superei ou que não chorei ao escrever isto... Mas de uma coisa eu seu sei, que além do cuidado de Deus, eu tive um pai que sempre aconselhou, incentivou... AMOU em mais do que em palavras, em atitudes... Então não posso chamar sua morte de perda... Mas sua vida de PRESENTE!
A última palavra que eu disse a ele, foi na despedida da UTI "Eu te amo papaizinho lindo..."E última vez que ouvi falar, e com muita esforço foi "Eu também te amo, filhinha..."